Iniciativa do Instituto Biodelta com o objetivo de incentivar e premiar a produção de material científico relevante para a área.
Em 2017 tivemos a primeira edição. Mais detalhes, confira abaixo. 

Critérios de avaliação

  • Originalidade do Estudo.
  • Relevância do trabalho para o avanço científico.
  • Fundamentação científica da pesquisa.
  • Adequação da metodologia.
  • Apresentação geral do trabalho.


Resumos

1º COLOCADO

TREINAMENTO COM PESOS MELHORA CAPACIDADE FUNCIONAL, BIOMARCADORES INFLAMATÓRIOS E DE ESTRESSE OXIDATIVO EM IDOSAS COM OBESIDADE SARCOPÊNICA

Crisieli Maria Tomeleri1, Cláudia Cavaglieri1, Melissa Antunes2, Paollo Marcelo da Cunha Fabro2, Danielle Venturine2, Decio Sabbatini Barbosa2, Edilaine Fungari Cavalcante2, João Pedro Alves Nunes2, Hellen Clair Garcêz Nabuco2, Durcelina Schiavoni2, Mariana Ferreira de Souza2, Edilson Serpeloni Cyrino2
Faculdade de Educação Física – Universidade Estadual de Campinas 1, Universidade Estadual de Londrina, Londrina/PR, Brasil.2 - crisieli@uol.com.br

Introdução:
A sarcopenia é um processo que envolve redução da massa muscular acompanhada de diminuição da capacidade funcional. Mais recentemente, a combinação entre sarcopenia e obesidade tem recebido a denominação de obesidade sarcopenica (OS), um fenômeno que pode resultar em importantes limitações funcionais e distúrbios metabólicos. Embora a prática regular de treinamento com pesos (TP) seja aparentemente uma estratégia interessante para controlar a sarcopenia e a obesidade, de forma isolada, pouco se conhece sobre o impacto do TP sobre a OS.

Objetivo: Analisar o efeito de 12 semanas de TP sobre indicadores de capacidade funcional, composição corporal, biomarcadores inflamatórios e de estresse oxidativo (EO) em mulheres idosas com OS. Métodos: Trinta e duas mulheres idosas (> 60 anos), portadoras de OS (Chen et al., 2017), foram aleatoriamente divididas em: grupo treinamento (GT, n = 16) submetido a um programa de TP por 12 semanas (oito exercícios, 3 X 10-15 RM, três sessões semanais); e grupo controle (GC, n = 16), sem a prática de exercícios físicos pelo mesmo período. Testes de caminhada de 10 m e 1-RM; medidas de composição corporal (gordura corporal e massa isenta de gordura e osso apendicular) e dosagens bioquímicas (TNF-α, PCR, IL-10, TRAP e AOPP) foram realizadas antes e após 12 semanas de intervenção.

Resultados: Análise de variância (ANOVA) two-way para medidas repetidas revelou melhoria de todas as variáveis analisadas no GT quando comparado ao GC, exceto TRAP, conforme pode ser observado na tabela a seguir. 


                            
Nota. Dados expressos em média ± desvio padrão.
MIGO = massa isenta de gordura e osso.
Índice MM = índice de massa muscular. TNF-α = fator de necrose tumoral alfa. PCR = proteína C-reativa. IL-10 = interleucina 10. *P < 0,05 vs. pré treinamento; §P < 0,05 vs. grupo controle.  TE = diferença entre o tamanho do efeito dos grupos treinamento e controle.
 
Conclusão: Doze semanas de TP parecem ser suficientes para melhorar a capacidade funcional, composição corporal, biomarcadores inflamatórios e de estresse oxidativo em mulheres idosas com obesidade sarcopênica. 
 Agência de Fomento: CAPES, CNPq e MEC. 

2º COLOCADO

Conteúdo telomérico e marcadores de obesidade central em mulheres com Síndrome dos Ovários Policístico submetidas ao treinamento resistido

Gislaine Satyko Kogure1, Cristiana Libardi Miranda Furtado1, Victor Barbosa Ribeiro1, Daiana Cristina Chielli Pedroso1, Iris Palma Lopes1, Rui Alberto Ferriani1, Rosana Maria dos Reis1

Departamento de Ginecologia e Obstetrícia - Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - FMRP/USP1 - gisatyko@gmail.com

Introdução: Os telômeros são complexos DNA-proteína encontrados nas extremidades dos cromossomos lineares, que os protegem da degradação e são responsáveis por manter a estabilidade genômica, sendo um importante biomarcador de senescência celular. O encurtamento progressivo dos telômeros está associado a uma série de doenças caracterizadas pelo aumento do estresse oxidativo e inflamação crônica como a obesidade e a resistência a insulina, fatores marcantes no fenótipo da Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), resultantes dos altos níveis de insulina e do hiperandrogenismo prevalentes na doença. O exercício físico tem sido recomendado com primeira linha de tratamento para essas mulheres, associado à melhora das alterações metabólicas da síndrome, incluindo a obesidade central,  podendo influenciar positivamente a regulação do conteúdo telomérico.

Objetivo: Explorar as respostas nos indicadores antropométricos de obesidade (IAO) em mulheres em idade reprodutiva com e sem SOP com treinamento resistido progressivo (TRP), e verificar a relação com o conteúdo telomérico no grupo SOP.  

Desenho: Ensaio clínico, não randomizado, terapêutico, aberto e de braço único. Métodos: 45 mulheres com SOP e 52 mulheres com ciclos ovulatórios regulares (grupo controle - CG), sedentárias, com idade entre 18 a 37 anos e IMC entre 18 - 39,9 Kg/m2 receberam TRP através de uma periodização linear três vezes por semana durante quatro meses. Pré- e pós-intervenção foram mensurados os IAO: circunferência da cintura (CC), circunferência abdominal (CAbd), relação cintura-quadril (RCQ), relação cintura-estatura (RCest) e índice de conicidade (Índice C). Foram realizadas dosagens séricas dos andrógenos, homocisteína, insulina e glicose em jejum. O conteúdo telomérico foi avaliado pela técnica PCR quantitativo em tempo real (qPCR). Para a análise dos dados foi utilizado uma regressão linear de efeitos mistos ajustado para idade, IMC e modelo de avaliação da homeostase da resistência à insulina (HOMA-IR) e o coeficiente de correlação de Spearman, através do programa SAS® 9.0 (SAS Institute Inc., Universidade da Carolina do Norte, NC, EUA). Nível de significância P<0.05.

Resultados: Após o TRP, não foram observadas diferenças no conteúdo telomérico dentro dos grupos. A CC, a RCest e o Índice C reduziram no grupo SOP em comparação aos valores basais e a Cabd reduziu entre e dentro de grupos (Tabela). Não foram observadas no grupo SOP relações entre as alterações nos IAO e o conteúdo do telômero no momento basal (CC r -0.17p=0.28; CAbd r -0.03 p=0.84; RCQ r -0.16 p=0.31; RCest r -0.17 p=0.28; Índice C r -0.15 p=0.34), bem como com as alterações nos IAO e no conteúdo do telômero após intervenção (CC r -0.13 p=0.43; CAbd r 0.04 p=0.78; RCQ r 0.01 p=0.94; RCest r -0.13 p=0.42; Índice C r -0.02 p=0.88).

Conclusão: Os dados sugerem que o TRP melhora a obesidade central medida por antropometria em mulheres com SOP, sem alteração no conteúdo do telômero. Embora, o comprimento do telômero não esteve associado as mudanças nos parâmetros de obesidade, a avaliação do conteúdo telomérico pode fornecer informações adicionais sobre caminhos que levam à adiposidade central em mulheres com SOP.

 Agência de Fomento: Fapesp 10/08800-8 / FAEPA / CNPq 

3º COLOCADO

Seis sessões de treinamento de força isométrico são eficazes em reduzir a pressão arterial de idosos hipertensos institucionalizados

Luiz Humberto Rodrigues Souza1, Joyce Bomfim Vicente 2, Vivian Cabral Euzébio Moraes 2, Geiziane Leite Rodrigues Melo 2, Rafael Reis Vieira Olher2, Ioranny Raquel Castro de Sousa2, Rodrigo Vanerson Passos Neves2, Brande Ranter Alves Soares2, Thiago dos Santos Rosa2, Milton Rocha de Moraes2


Universidade do Estado da Bahia / Universidade Católica de Brasília1, Universidade Católica de Brasília -UCB2 - luizhrsouza21@yahoo.com.br

Introdução: A hipertensão arterial (HA) é uma das doenças mais comuns na população de idosos, que aumenta exponencialmente no Brasil. O treinamento de força (TF) dinâmico tem sido proposto como um adjuvante no controle e tratamento da HA. No entanto, nos últimos anos o TF estático (isométrico), usando força de preensão palmar (FPP), também vem demonstrando ser eficaz para reduzir a pressão arterial (PA) em adultos hipertensos. Contudo, há um hiato na literatura sobre em que momento do período de TF isométrico já se obtém uma redução significativa da PA, sobretudo em idosos hipertensos.

Objetivo: Verificar o efeito do TF isométrico de preensão palmar em um curto período sobre as respostas cardiovasculares de idosos hipertensos institucionalizados.

 Materiais e Métodos: Vinte idosos hipertensos sedentários (75,8 ± 1,4 anos), com pressão arterial (PA sistólica - PAS 124 ± 3 mmHg; PA diastólica - PAD 74 ± 2 mmHg; PA média - PAM 91 ± 2 mmHg) e frequência cardíaca controladas (FC 77 ± 2 bpm) foram divididos em grupo controle sem exercício (GC= 10) e grupo isométrico (GI=10). O TF isométrico foi realizado com um dinamômetro portátil hidráulico de preensão palmar (Jamar® dynamometer, IL, USA); foram realizadas 4 séries de 1’ de isometria, bilateral, a 30% da contração voluntária isométrica máxima (CVIM), com 2’ de pausa entre as séries, 3 vezes por semana em dias não consecutivos, em um período de 2 semanas. Os parâmetros cardiovasculares foram monitorados em cada sessão pré e pós-treinamento pelo método oscilométrico usando um equipamento automático (3AC-1 BP, Microlife, Suíça), e a média foi calculada semanalmente. Para analisar os dados, utilizou-se a Two Way ANOVA para medidas repetidas (SPSS 20.0); o alfa adotado foi de 0,05 e os valores foram expressos em média ± erro padrão.

 Resultados: As respostas cardiovasculares após o curto período de TF isométrico estão apresentadas na tabela 1.

Tabela 1: Respostas cardiovasculares após seis sessões de TF isométrico.
    
Dados expressos em média ± erro padrão. PAS = pressão arterial sistólica (mmHg); PAD = pressão arterial diastólica (mmHg); PAM = pressão arterial média (mmHg); PP = pressão de pulso (mmHg); FC = frequência cardíaca (bpm); DP = duplo produto (mmHg * bpm). a p < 0.05 vs. pré (entre os períodos dentro do grupo); b p < 0.05 entre os grupo no mesmo período.
 
Conclusão: Este estudo é o primeiro a demonstrar o período (time course) para a redução significativa dos níveis pressóricos induzidos pelo TF isométrico em idosos hipertensos institucionalizados, in loco. O uso de um dinamômetro portátil de baixo custo e fácil aceitação foi eficaz como um pronto tratamento não farmacológico da HA. É possível que estes resultados possam ser replicados em clínicas, hospitais e no atendimento personalizado (home care).
 
Palavras-chave: Envelhecimento, Hipertensão Arterial, Isometria.
Av. Dr. Arnaldo, 2031 - Sumaré - São Paulo - SP - (11) 3897-0684