88 – O comprimento dos telômeros está correlacionado com maior longevidade e com a prática da musculação

Os autores introduzem este artigo comentando os diversos benefícios para a saúde do treinamento resistido (TR) como o aumento da massa muscular, o aumento da taxa metabólica, a diminuição do estresse oxidativo, o controle da obesidade e a prevenção do diabetes e da hipertensão arterial. Enfatizam evidências de que o TR é tão eficiente para prevenir doenças cardiovasculares quanto o treinamento aeróbico. O objetivo deste trabalho foi relacionar o tempo semanal utilizado em TR com o comprimento dos telômeros em células do sangue, independente de outras formas de atividade física.

Telomere Length and Biological Aging: The Role of Strength

Training in 4.814 US Men and Women

Larry A. Tucker and Carson J. Bates

Biology 2024, 13, 883. https://doi.org/10.3390/biology13110883

COMPRIMENTO DOS TELÔMEROS E IDADE BIOLÓGICA: O PAPEL DO TREINAMENTO RESISTIDO EM 4.814 HOMENS E MULHERES

Comentário: Prof. Dr. José Maria Santarem

Telômeros são as extremidades dos cromossomos, que por sua vez são as estruturas formadas por proteínas e DNA (ácido desoxirribonucleico) que formam os genes, responsáveis por definir as diversas características genéticas das pessoas. Os humanos possuem 23 pares de cromossomos em todas as células. Em cada par, um é fornecido pelo pai e outro oferecido pela mãe. Os telômeros têm a função de proteger os cromossomos durante a divisão celular, que ocorre durante toda a vida. A cada divisão celular o telômero encurta, portanto o seu comprimento vai diminuindo ao longo da vida.

O comprimento dos telômeros está correlacionado com maior longevidade, sendo esta também uma característica determinada geneticamente. Situações como obesidade, diabetes, hipertensão arterial, dislipidemia, alcoolismo, tabagismo, ansiedade, depressão e sedentarismo diminuem a expectativa de vida e são acompanhadas por telômeros mais curtos. Por outro lado atividade física habitual, boa alimentação e hábitos de vida saudáveis aumentam a longevidade e os telômeros são mais longos. Admite-se que hábitos de vida saudáveis e ausência de doenças crônicas preservam o comprimento dos telômeros.

 Os autores introduzem este artigo comentando os diversos benefícios para a saúde do treinamento resistido (TR) como o aumento da massa muscular, o aumento da taxa metabólica, a diminuição do estresse oxidativo, o controle da obesidade e a prevenção do diabetes e da hipertensão arterial. Enfatizam evidências de que o TR é tão eficiente para prevenir doenças cardiovasculares quanto o treinamento aeróbico.

O objetivo deste trabalho foi relacionar o tempo semanal utilizado em TR com o comprimento dos telômeros em células do sangue, independente de outras formas de atividade física.

 Ao longo de quatro anos 4.814 pessoas de ambos os sexos e entre 20 e 69 anos foram avaliados, com uma abordagem transversal: cada pessoa forneceu apenas uma amostra de sangue. Os participantes foram divididos em três grupos: os que não praticavam TR; os que praticavam de 10 a 50 minutos por semana; e os que praticavam 60 ou mais minutos por semana. Também foram consideradas outras formas de atividade física praticadas, sendo os participantes classificados em função do gasto energético semanal com base em METs (equivalente metabólico).

As pessoas que treinaram com pesos menos de uma hora por semana apresentaram telômeros 123 unidades mais longos do que os que não treinaram com pesos e as que treinaram mais de uma hora, apresentaram telômeros 238 unidades mais longos.

Considerando o encurtamento natural dos telômeros com a idade, os participantes que treinaram com pesos por uma hora ou mais por semana apresentaram uma idade biológica quase 4 anos menor. Extrapolando os resultados com métodos estatísticos, pode-se calcular que três horas de treinamento com pesos por semana reduzam a idade biológica em quase 8 anos.

 Uma crítica a este trabalho, levantada pelos próprios autores na discussão, é que as principais variáveis avaliadas (comprimento dos telômeros e prática do treinamento resistido) estão com certeza associadas, mas em um trabalho transversal como este não é possível estabelecer que a relação seja de causa e efeito. Em outras palavras, pode ser que a prática da musculação não seja a causa dos telômeros mais longos. Existe a possibilidade de que as pessoas que têm telômeros mais longos gostem mais e pratiquem mais musculação. Os telômeros mais longos seriam marcadores genéticos dessa tendência. Seja como for, se você gosta e pratica musculação, você deve ter telômeros mais longos e portanto maior expectativa de vida.

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