85 – Mulheres treinadas com pesos sentem-se até 30 % mais jovens do que a idade cronológica.

COMPOSIÇÃO CORPORAL E AUTOPERCEPÇÃO DE IDADE E SAÚDE EM MULHERES PÓS-MENOPAUSA PRATICANTES DE TREINAMENTO RESISTIDO

“Body composition and self-perception of age and health in resistance-trained postmenopausal women.”

Nishimura, A., Moraes, M. R., Cantão, E. W., Leite, P. L. A., Maciel, L. A.,

Sousa, C. V., … Simões, H. G. (2026). Climacteric, 1–8.

https://doi.org/10.1080/13697137.2025.2601006

Comentários: Prof. Dr. Milton Rocha de Moraes

ANÁLISE DETALHADA: O IMPACTO DO TREINAMENTO RESISTIDO NA IDADE SUBJETIVA E SAÚDE NA PÓS-MENOPAUSA

O envelhecimento é um processo multifacetado que, embora cronológico, manifesta-se de forma única no nível biológico e psicológico. Para mulheres na pós-menopausa, esse período é frequentemente acompanhado por mudanças deletérias na composição corporal, como o aumento da gordura e a perda de massa muscular (sarcopenia), além de uma maior predisposição a transtornos de ansiedade e depressão.

Este estudo investigou uma questão fascinante: como a prática de longo prazo do Treinamento Resistido (TR) influencia a idade subjetiva (a idade que a pessoa sente ter) e a percepção de saúde em mulheres pós-menopausais.

O estudo avaliou 46 mulheres, com idades entre 50 e 69 anos, divididas entre o Grupo Treinamento Resistido (GTR; n=24), composto por praticantes da modalidade há pelo menos sete anos, e o Grupo Não Treinado (GNT; n=22), integrado por mulheres que não realizavam exercícios regulares. A metodologia baseou-se na aplicação da Razão de Percepção de Idade (APR), na qual valores positivos indicam uma percepção de rejuvenescimento em relação à idade cronológica, além da avaliação da saúde autorreferida e do nível de felicidade. Adicionalmente, foram mensuradas a força de preensão manual e variáveis de composição corporal, incluindo o Índice de Massa Corporal (IMC), o percentual de gordura e a relação cintura-quadril.

Os resultados evidenciaram benefícios significativos associados ao TR de longo prazo, destacando-se que as mulheres do grupo treinado (GTR) sentiam-se, em média, 27,1% mais jovens que sua idade cronológica, comparado a apenas 10,6% no grupo não treinado (GNT). Essa percepção foi acompanhada por uma classificação de saúde autorreferida superior no GTR (4,1 contra 3,1 em uma escala de 5 pontos) e por indicadores físicos favoráveis, como menor percentual de gordura, menor IMC e maior força de preensão manual em relação às sedentárias. Por fim, a análise de regressão identificou que a saúde autorreferida, o nível de felicidade e a relação cintura-quadril foram os principais preditores da juventude subjetiva, explicando 56,7% da variação na percepção de idade das participantes que faziam TR.

Comentários e Conclusão

Este estudo reforça que o Treinamento Resistido vai além da estética ou da saúde metabólica; ele impacta profundamente o bem-estar psicológico e a autoidentidade durante o processo de envelhecimento. A melhora na composição corporal (especialmente a redução da gordura abdominal medida pela relação cintura-quadril) está diretamente ligada a uma mentalidade voltada para a manutenção da jovialidade.

Para profissionais da saúde, o dado de que mulheres treinadas sentem-se quase 30% mais jovens é uma ferramenta de motivação poderosa para a prática da atividade física. O TR de longo prazo atua como um “antídoto” não apenas para a fragilidade física, mas também para a percepção negativa do processo de envelhecimento, promovendo o que a Organização Mundial da Saúde define atualmente como sendo a Década do Envelhecimento Saudável.

Referências, tabelas e gráficos no trabalho original.

Comentarista:

Prof. Dr. Milton Rocha de Moraes
Grupo de Estudos em Treinamento de Força na Saúde e Reabilitação
Departamento de Educação Física
Universidade Federal da Paraíba – UFPB
Pós-Doutorado “University of Florida-USA”
Pós-Doutorado Universidade de São Paulo- USP
Especialistas em Fisiologia Clínica Aplicada ao Exercício Físico- UNIFESP
Assessoria/ Cursos/ Palestras (61) 9 9375-7272
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