A importância do treinamento resistido para combater o envelhecimento neuromuscular

Comentário: Prof. Dr. José Maria Santarem*

Mecanismos da perda de massa muscular e força no envelhecimento e como o treinamento resistido pode atenuar o processo.

The Importance of Resistance Exercise Training to Combat Neuromuscular Aging
Downloaded from journals.physiology.org/journal/physiologyonline at CAPES-USP (143.107.003.216) on March 2, 2020.
Kaleen M. Lavin, Brandon M. Roberts, Christopher S. Fry, Tatiana Moro, Blake B. Rasmussen, Marcas M. Bamman.

Pessoas em processo de envelhecimento têm no treinamento resistido (TR) um potente estímulo para hipertrofia muscular, desempenho neuromuscular e mobilidade funcional. Benefícios importantes do TR são citados nesse artigo: melhora da força, da potência, da velocidade, do equilíbrio, da massa óssea, da funcionalidade, da cognição, da memória, do humor e também diminuir a suscetibilidade a doenças, acelerar a recuperação cirúrgica, aumentar a independência e expectativa de vida.

A perda de massa muscular no envelhecimento se deve a hipotrofia e diminuição no número de fibras, principalmente de fibras brancas (tipo II). As evidências sugerem que um mecanismo importante seja o desaparecimento de motoneurônios de fibras brancas, levando à diminuição no número de fibras brancas. Estima-se uma redução entre 30 e 40 % no número de unidades motoras (UM) em relação a adultos jovens. Em um aparente mecanismo de defesa para compensar a desnervação de fibras brancas, UM remanescentes passam a englobar maior número de fibras. Sabe-se que quando fibras brancas são incorporadas em UM de fibras vermelhas, as brancas passam a ser vermelhas. Assim sendo, os idosos têm menor número de fibras, menor volume nas fibras, menor quantidade de fibras brancas e grandes UM de fibras vermelhas. Todos esses fatores contribuem para a diminuição de força e potência.

O TR estimula a hipertrofia de fibras, principalmente brancas, e a transição de fibras IIx (IIb) para IIa, mais funcionais. Também estimula o melhor recrutamento de UM. Assim sendo, embora não possa atuar nas origens dos mecanismos de perda de volume muscular, força e potência no envelhecimento, o TR pode compensá-los parcialmente, mas de forma importante. Não há evidência confiável de hiperplasia induzida por treinamento em humanos.

Tanto a diminuição de massa muscular como a perda de força e potência no envelhecimento estão relacionados com maior mortalidade. O aumento de potência ocorre paralelamente ao aumento de força induzido pelo TR tradicional. Essas adaptações decorrem de melhor coordenação neuromuscular e de hipertrofia. Paralelamente, melhora o equilíbrio, diminui o risco de quedas, e diminui o número de fibras necessárias para as atividades da vida diária, diminuindo a intensidade dos esforços. A hipótese de que o TR com movimentos explosivos seria superior ao TR tradicional para o aumento de potência não se confirmou.

O TR induz síntese proteica pós-treino em idosos, mas em menor nível que em jovens. O mecanismo de síntese proteica aumentada está na dependência de sinalizadores bioquímicos intracelulares controlados por expressão gênica.

A maioria dos estudos sugere que a frequência de duas a três vezes por semana de TR são as mais eficientes para induzir progressos, sem diferenças nas duas abordagens. Cargas acima de 70% de 1RM foram confirmadas como as mais eficientes para massa muscular, força, potência, resistência, velocidade, mobilidade e massa óssea. Os resultados de três séries por exercício parecem ser um pouco superiores a apenas uma.

Em resumo, as atuais pesquisas sugerem que o TR seja uma importante ferramenta para manter e melhorar a saúde, a capacidade funcional e a qualidade de vida durante o envelhecimento.

Metodologia, tabelas, gráficos e bibliografia encontram-se no artigo original.

 

Prof. Dr. José Maria Santarem*
Doutor em medicina pela Universidade de São Paulo, fisiatra e reumatologista pela Associação Médica Brasileira, consultor científico da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte, diretor do Instituto Biodelta e coordenador do site acadêmico www.treinamentoresistido.com.br.